Na contramão da evolução: Sergipe ainda discute aterro sanitário

O século é XXI, o ano é 2012, mas o país é Brasil e o estado é Sergipe.

Há pelo menos uma dúzia de anos se discute em Sergipe onde construir o aterro sanitário da grande Aracaju. Eu lembro bem de um dos primeiros capítulos desta novela, o seminário Lixo: Alternativas para o destino dos resíduos sólidos da grande Aracaju, organizado pelo Instituto Acauã, uma ONG que na época era coordenada pelo Biólogo Genival Nunes (atual presidente da ADEMA – Administração Estadual do Meio Ambiente). Naquele momento, um jovem estudante, recém ingresso no curso de Engenharia Florestal, fez uma pergunta a mesa do evento: porque queremos um aterro sanitário se existem outras alternativas mais viáveis? O silêncio contido numa resposta evasiva ecoa até os dias atuais.

Assim, pergunto novamente: porque queremos um aterro sanitário se existem soluções ambiental e economicamente mais viáveis? Vou mais além: Soluções estas que podem gerar muitos empregos e inaugurar a cultura de negócios verdes em Sergipe.

O clamor por uma destinação “adequada” dos resíduos sólidos foi fundamentado pelo esgotamento da capacidade da Lixeira da Terra Dura e a ameaça que a mesma oferecia a segurança dos voos que operavam no aeroporto Santa Maria. Todo este tempo se passou e nada mudou, o aeroporto continua no mesmo lugar e os resíduos sólidos da grande Aracaju continuam indo para a antiga lixeira!

Não dá para entender mesmo como uma tecnologia tão ultrapassada ainda é cotada como a melhor solução para os resíduos sólidos. É fato! Nenhum lugar do mundo quer construir aterros sanitários, pois além de ser uma tecnologia ambientalmente ultrapassada, com duras críticas por parte dos especialistas no assunto, é considerado como um empreendimento com retorno economico de longo, longo prazo.

Isso leva a outras questões: a quem tanto interessa a construção deste aterro? Quem efetivamente lucra com isso?

Sobre a viabilidade do aterro sanitário, muitas questões de cunho técnico já foram levantadas pelo governo, oposição, ONGs, OSCIPs e Conselhos de classes. Já foram realizadas mil adequações no projeto conceitual, outras tantas revisões no orçamento do mesmo, estudos de potencial de contaminação de aquiferos, EIAs, RIMAs e o escambau. Mas, graças às comunidades, infelizmente mais temerosas do que esclarecidas, as propostas tem sido sumariamente rejeitadas nas audiêcias públicas, a última foi no município de Nossa Senhora de Socorro com supostos atos suspeitos por parte da empresa interessada no empreendimento (Matéria na Infonet).

Isso já começa a cheirar mal (com a licença do trocadilho), mas parece que a sociedade sergipana pode estar prestes a comprar (e pagar caro, pois custa muito dinheiro) uma tecnologia velha num processo que já demonstra aspectos, no mínimo, suspeitos. É lixo, mas não é qualquer coisa!

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