A batalha das folhas

Folha, substantivo feminino.

De acordo com o Houaiss, esta palavra possui muitos significados, um deles é: “órgão, geralmente laminar e verde, das plantas floríferas ou fanerógamas e principal estrutura assimiladora do vegetal; é geralmente constituída pela lâmina ou limbo, frequentemente com um suporte, o pecíolo, e, por vezes, com uma parte basal alargada, a bainha”. Claro que este significado remete-se às folhas dos vegetais, tão presente no nosso cotidiano. Há, conforme o autor, um outro significado para folha igualmente comum no dia a dia: “cada um dos elementos que compõem um livro, bloco, caderno, jornal etc., cujas duas faces são chamadas de páginas”, estas obviamente são as folhas de papel.

Difícil imaginar um conflito entre folhas vegetais e folhas de papel. É o que está acontecendo neste exato momento no ambiente político brasileiro. Ruralistas e ambientalistas defendem veementemete seus argumentos com as armas que lhe são cabíveis para alterar ou não o Código Florestal brasileiro. O que se procura nesta batalha, como em todas as outras, é a vitória a qualquer custo. E qual é o custo?

Escrito em folhas (de papel) está o Código Florestal brasileiro, a Lei 4.771 em sua última versão de 1965, que tem entre seus objetivos preservar a fauna e a flora, consequentemente folhas (dos vegetais), além da segurança alimentar (Artigo 46). Desconhecido por muitos, profissionais inclusive, pouco é aplicado dos seus cinquenta Artigos. É certo que o Código precisa ser revisto, este quinquentenário instrumento foi elaborado à luzes de uma época em que a política econômica nacional, e porque não mundial, versava em sentidos um tanto diferentes dos que regem a atual economia.

As folhas de papel representam um forte setor produtivo nacional, que possui voz ativa na bancada ruralista, que gera recursos na ordem de 4% do PIB nacional, milhões de empregos no campo e nas indústrias, desenvolvimento científico nas universidades públicas, no entanto, geram também impactos às folhas dos vegetais com toneladas cúbicas de licor negro, redução da biodiversidade e concentração fundiária. As folhas dos vegetais por sua vez, possuem inúmeros, milhões de simpatizantes que veem a importâcia de sua existência (de si próprio, das folhas e de si próprio), alguns passam a oportunizar esta visão e erguer bandeiras cada vez mais verdes e cada vez mais altas, outros preocupam-se tanto com a eco-logia que dela excluem os seres humanos, porém, também há aqueles que realmente entendem que a presença humana só terá continuidade se equilibrada esta batalha. Mas essa é uma outra história!

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